Tem 30 anos. Pós-graduado com Especialização em Assessoria de Imprensa pela Faculdade do Vale do Ipojuca, graduado em Comunicação Social pela Universidade Estadual da Paraíba.

Já atuou na Rádio São Domingos FM (Brejo da Madre de Deus) em 2007, na Rádio 101,9 FM (Santa Cruz do Capibaribe) de 2007-2008, na Estação Sat (Santa Cruz do Capibaribe) de 2008-2009 e atua até hoje na Rádio Vale AM. Onde desenvolve os trabalhos de produtor e apresentador do programa VALE MAIS.

Atualmente é o responsável pelo Blog do Melqui, assessor de imprensa do vereador Ronaldo Pacas, jornalista da Rádio Vale AM, diretor da Flipi Comunicação e assessor de imprensa da Secretaria Municipal de Assistência Social de Taquaritinga do Norte. Entre em contato pelo blogdomelqui@hotmail.com ou pelo flipicomunicacao@gmail.com.

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Quarta, 12 Março 2014 16:44
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'Asfaltar a Rua Grande enterra de vez toda a simbologia do surgimento desta cidade atípica'

POR ROZANGELA MONTEIRO

 

Mesmo sabendo que a luta pela preservação da história de Santa Cruz do Capibaribe é o mesmo que "dar murro em ponta de faca" e, para alguns, é ser contra o prefeito que estiver no poder, endosso o coro daqueles que entendem a importância de se conservar a identidade das nossas origens. A Rua Grande é o berço, é o marco, é o começo.

 

O progresso financeiro que nossa cidade atingiu com a explosão e o crescimento econômico, através da confecção, nos trouxe um grande prejuízo do ponto de vista histórico e cultural, queiram os indiferentes e aversos ao saudosismo ou não! Perdemos muito de nossas características e, nesse sentido, asfaltar a Rua Grande enterra de vez toda a simbologia do surgimento desta cidade atípica, cujas belezas foram ofuscadas pela busca desenfreada da ascensão financeira.

 

A verba destinada para o asfalto da referida rua pode muito bem ser usada para asfaltar outras vias. Vale ressaltar que não se trata de ser contra prefeito ou político deste ou daquele grupo. Todos passarão, mas Santa Cruz do Capibaribe permanecerá. Segue texto da Comissão de pesquisa, levantamento histórico e patrimonial da Paróquia de Santa Cruz do Capibaribe.


"Debaixo da sombra das gameleiras da rua grande não há somente troncos, raízes e uma rua. Ali há boa parte da história de uma cidade. O coração da Santa Cruz acolhedora que somos brotou dali, foi lá que nos construímos enquanto aglomeração urbana, vilarejo, cidade. A origem do que somos está na Rua Grande.

 


A memória, seja ela social, política ou afetiva, está guardada dentro de cada um de nós. Ela vai sendo construída, como se estivesse sendo gravado nas nossas mentes um filme. O que nossa retina vê, o que nossos ouvidos ouvem, o nosso caminhar por um lugar, as lutas e embates que vivenciamos, os acontecimentos banais do cotidiano formam e nutrem a memória. A história de um lugar também é uma construção, e além do tempo, é necessário memória para construí-la. A Avenida Padre Zuzinha é um dos mais importantes lugares de memória da nossa historia. Naquela rua repousam vários acontecimentos - cotidianos, políticos, sociais e afetivos - da história de Santa Cruz. As feiras livres, as festas do padroeiro, os desfiles cívicos, os cinemas, as apresentações e a sede da Novo Século, as paqueras dos jovens, as músicas tocadas na rádio difusora, a mulher apressada que comprava tomates na feira, a senhora que vendia potes de barro, o menino que se encantava com as luzes e brinquedos do parque de diversão. São muitas as personagens e os roteiros, e o palco era a rua grande com suas frondosas gameleiras e a igreja Matriz ao fundo.
Revitalizar a rua é importante, preservar, valorizar essas tantas histórias, rememorá-las e mesmo dar àquela rua uma nova vida, atribuir ao seu espaço novos caminhares, é essencial. No entanto, é preciso muito cuidado e sensibilidade para compreender que não podemos descaracterizar a essência do lugar. O asfalto descaracteriza, ele encobre e impossibilita que as novas gerações sintam e conheçam tanta história que por ali passou. O asfalto pode trazer danos à vida dos habitantes daquela rua. Ele é quente, aumenta a sensação térmica, é impermeável, podendo trazer uma série de problemas na época das chuvas, problemas à manutenção e à vida das árvores centenárias plantadas lá. Entretanto, nenhum desses impactos negativos se compara aos danos irreversíveis à memória e à identidade que aquele local corre ao descaracterizarmos tanto sua materialidade.

 


Todo o legado cultural e histórico que repousa nos paralelepípedos assentados ali deve ser preservado e compreendido como patrimônio material e cultural de um povo. Negar sua importância e a necessidade de preservação da mesma é negar a nossa própria historia.

 


Dessa maneira, solicitamos ao poder público que ouça a população em geral; moradores da rua, historiadores, artistas, trabalhadores. Que seja feita uma audiência pública para discutir a colocação ou não do asfalto naquela rua. É preciso saber dos riscos que a história da cidade corre, e mais urgente ainda, é preciso lutar para preservar o que ainda nos resta dela."


Comissão de pesquisa, levantamento histórico e patrimonial da Paróquia de Santa Cruz do Capibaribe.

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